O fenômeno da ansiedade na cultura digital
diálogos com a fenomenologia clínica
DOI:
https://doi.org/10.37067/rpfc.v15i2.1257Palavras-chave:
Ansiedade, Cultura Digital, Psicopatologia, FenomenologiaResumo
As novas tecnologias, atreladas à presença massiva da internet, trouxeram mudanças significativas para a vida cotidiana das pessoas em escala global. Como passamos cada vez mais tempo online, nosso contato com o mundo passou a ser também mediado por telas, o que nos levou a questionar os impactos da cultura digital na vida humana e seu atravessamento nos modos de sofrimento contemporâneo, tais como a ansiedade. Neste trabalho, temos como objetivo compreender o fenômeno da ansiedade em seu entrelaçamento à cultura digital por meio de uma perspectiva crítica situada no campo da fenomenologia clínica. Para este fim, elaborou-se uma pesquisa de base bibliográfica por meio de um ensaio teórico. Identificamos que diante da hiperestimulação, a ansiedade é compreendida como um fenômeno intersubjetivo situado na interseção entre sujeito e cultura, especialmente na configuração da cultura digital. Evidenciou-se que a experiência ansiosa não pode ser reduzida a uma relação causal e determinista com o virtual, mas sim compreendida por meio do entrelaçamento ambíguo entre sujeito-outrem-mundo, o qual se desvela na lógica do desempenho e abre condições de possibilidade do vivido (psico)patológico. Como resultado, evidencia-se a necessidade de uma postura clínica crítica, ética e compreensiva, capaz de incorporar a dimensão intersubjetiva e cultural na escuta sensível das experiências e configurações da ansiedade no mundo contemporâneo. Tal perspectiva aponta para o rompimento com práticas voltadas ao mero ajustamento, patologização e adaptação dos sujeitos às lógicas de produção e desempenho, revelando as formas pelas quais o mundo digitalmente mediado pode enrijecer ou restringir as condições de possibilidade do existir humano.
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