Entre Barthes e Merleau-Ponty
Sobre a possibilidade e os desdobramentos de uma Psicopatologia fenomenológica do amor
DOI:
https://doi.org/10.37067/rpfc.v15i2.1251Palavras-chave:
Psicopatologia fenomenológica, Amor, Patologias do amor, Roland Barthes, Maurice Merleau-Ponty, Corpo, LinguagemResumo
Este artigo propõe uma aproximação fenomenológica da experiência amorosa a partir do diálogo entre Fragmentos de um discurso amoroso (1977), de Roland Barthes, e Fenomenologia da percepção(1945), de Maurice Merleau-Ponty – para além das teorias sobre o amor. Frente à escassez de registros fenomenológicos que compreendam o amor vivido enquanto origem e evidência da estrutura, expressa no gesto linguístico, busca-se reconstituir o discurso amoroso como fenômeno fundamental da experiência. Mesmo sem vínculos explícitos com a clínica, os autores oferecem, cada qual à sua maneira, subsídios para uma Psicopatologia fenomenológica do enamoramento – subsídios estes que alicerçam o conceito autoral de patologias do amor. Barthes dramatiza o amante como sujeito fragmentado, tensionado pela linguagem, enquanto Merleau-Ponty categoriza a experiência afetivo-sexual como modo original da percepção e do sentido encarnado. A partir disso, propõe-se uma reorganização das figuras barthesianas segundo as condições de possibilidade da experiência amorosa: intersubjetividade, corporeidade, espacialidade, temporalidade e afetividade. Por fim, delineia-se uma terapêutica fenomenológica do amor, ancorada na intercorporeidade e dirigida aos fenômenos máximos do amadurecimento vivido, como saída para as patologias do amor. Este trajeto é condensado em um mapa conceitual – guia de leitura do artigo e síntese das condições e dos desdobramentos fenomenológicos do amor.
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