A contribuição da análise fenomenológica nos estudos de relato de caso

  • Jean Naudin
  • Alice Fromer Universidade de Lisboa
  • Flávio Guimarães Fernandes Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Psiquiatria Clínica, Relatos de Caso, Fenomenologia, Epistemologia

Resumo

A psiquiatria clínica oscila, segundo nossa argumentação, entre dois polos epistemológicos: inferência e percepção. A abordagem inferencial categoriza o transtorno como que de baixo para cima, isto é, partindo dos sintomas visíveis para a categoria patológica que supostamente os causa. Ao fazê-lo, distanciamo-nos de uma percepção mais instantânea que se possa ter acerca do paciente, assim como da consideração do transtorno enquanto fenômeno mutável, passível de evolução. De um ponto de vista fenomenológico, o modelo perceptivo permite que o terapeuta, em meio ao encontro, possa experienciar o emergir de uma impressão global acerca do paciente. Graças à épochè, faz-se possível emergir um senso de totalidade, uma Gestalt. Ora, o caso clínico, ainda assim, é sempre uma construção, uma narrativa intersubjetiva sobre o transtorno, narrativa essa recontada pelo paciente. Reunir casos clínicos pode levar-nos ao desenvolvimento de casos “tipo”, em que cada um deles se torna uma referência com a qual poderão ser realizadas comparações e categorizações, já que pertencem a uma “familiaridade” clínica; tal como os particulares, se quisermos referir-nos à teoria platônica das essências (Eidos). A abordagem fenomenológica contribui para a experiência clínica na medida em que possibilita a relação entre percepção e inferência, entre experiência subjetiva e narrativa intersubjetiva e entre pessoa e tipo.

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Biografia do Autor

Jean Naudin

Psiquiatra, doutor em Filosofia, Chef de Service à l’Assistance-Publique / Hôpitaux de Marseille

Alice Fromer, Universidade de Lisboa

Licenciada em Filosofia pela Universidade de Lisboa, Portugal. Graduanda em Pedagogia pelo Instituto Singularidades, São Paulo.

Flávio Guimarães Fernandes, Universidade de São Paulo

Psiquiatra, Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Pós-graduado em Psicopatologia Fenomenológica pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Editor Chefe da Revista Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea.

Publicado
2021-12-01
Seção
Artigo original