Experiência religiosa benigna e patológica

  • José Eduardo Porcher Universidade Federal de Santa Maria
Palavras-chave: experiência religiosa, ouvir vozes, fenomenologia, medicalização

Resumo

Utilizo análises fenomenológicas da audição de vozes em contextos religiosos para elucidar o papel epistêmico da fenomenologia na distinção entre experiência religiosa benigna e patológica. Primeiro, apresento descontinuidades fenomenológicas entre casos de audição de vozes benigna e patológica, baseando-me em um estudo de relatos em primeira pessoa de ouvidores de vozes no movimento pentecostal que evidencia que a audição de vozes não é inerentemente patológica. Em segundo lugar, apresento a continuidade epidemiológica de fenômenos psicóticos, recorrendo a um estudo das diferenças contextuais e responsivas entre os ouvintes clínicos e não clínicos, que apontam a contextos nos quais a audição de vozes não leva à patologia. Terceiro, apresento um caso bem-sucedido em que experiências anômalas são normalizadas, com base em estudos de experiência mediúnica que iluminam seus benefícios terapêuticos. Finalmente, argumento que deixar de levar em consideração a experiência vivida no momento do diagnóstico pode resultar na patologização de experiências benignas.

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Biografia do Autor

José Eduardo Porcher, Universidade Federal de Santa Maria

Bacharel, mestre e doutor em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente atua como pesquisador de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria. Foi pesquisador de pós-doutorado na Universidade Federal do Paraná, na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e no Rutgers Center for the Philosophy of Religion. É membro da atual diretoria da Associação Brasileira de Filosofia da Religião. Seu projeto de pesquisa atual, “Expanding the Philosophy of Religion by Engaging with Afro-Brazilian Traditions”, é financiado pela John Templeton Foundation (grant #62101).

Publicado
2022-05-10
Seção
Artigo original