Revista Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea
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<p>A revista Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea nasce como um movimento Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estrutural (SBPFE), encabeçado pelo seu presidente-fundador, o Prof. Dr. Guilherme Messas, com intenção e meta de desenvolver e difundir a psicopatologia fenomenológica no Brasil e no mundo. Assim, desde sua criação em 2012, a revista tem se voltado ao tema publicando artigos tanto de autores clássicos quanto de autores contemporâneos, bem como de novos pesquisadores da área. Além de seu fundador, a revista teve em seu quadro de editores a Profa. Dra. Virgínia Moreira (2016 e 2017). Atualmente conta com três responsáveis pela edição, o Dr. Flávio Guimarães-Fernandes (2018-atual), o Dr. Lucas Guimarães Bloc (2022-atual), Dra. Daniela Ceron-Litvoc (2018-atual) e o Dr. Gustavo Bonini Castellana (2020-atual).</p>Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estruturalpt-BRRevista Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea2316-2449<p>Os autores detém os direitos autorais sem restrições, devendo informar a publicação inicial nesta revista, em caso de nova publicação de algum trabalho.</p>Alienação social ou transtorno mental?
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<p>Alienação, para o sociólogo Hartmut Rosa, pode ser entendida como a antítese dialética de Ressonância: a pessoa alienada perde a capacidade de ressoar/vivenciar o contato e relação com outras pessoas, seu meio e/ou consigo mesma. O sofrimento advindo da alienação de cunho social é endêmico na contemporaneidade e queixas relacionadas a ele são cada vez mais frequentes em consultórios psicológicos e psiquiátricos.</p>André Domenici de Alencar
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2026-08-082026-08-08152646646Emotional labour, identity, and burnout
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<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">This presentation explores the impact that certain forms of work can have on our personal life and wellbeing in virtue of their ability to shape affective experience. More specifically, I suggest that “emotional labour” can threaten self-identity due to how it can influence a person’s evaluative outlook on the world, and I explore some of the consequences that this may have for mental health.</span></p>Anna Bortolan
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2026-08-082026-08-08152647647Beyond anecdotes
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<p>Despite its century-long history, the field of phenomenological psychopathology has no widely agreed upon or systematically developed research methods</p>Anthony Vincent Fernandez
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2026-08-082026-08-08152648648Possibilidades do olhar da psicopatologia fenômeno-estrutural no acompanhamento de pessoas com experiência de adoecimento por câncer
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<p>A aqui denominada psicopatologia tradicional tem deixado de ser recurso à saúde mental, uma vez que, por meio de sua roupagem criteriológica (universalista), transformou-se em sinônimo de saúde mental (WHO, 2002).</p>Arlinda B. Moreno
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2026-08-082026-08-08152649650A vulnerabilidade entrelaçada à experiência de pânico na psicopatologia fenomenológica
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<p>O transtorno de pânico, com ou sem sintomas de agorafobia, corresponde ao campo dos transtornos de ansiedade, os quais são os mais prevalentes na população global. Em termos epidemiológicos, até 33,7% das pessoas serão afetadas por um transtorno de ansiedade ao longo da vida.</p>Camila Souza
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2026-08-082026-08-08152651651Desenvolvimento de linguagem como instrumento clínico na infância
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<p>O desenvolvimento infantil, do ponto de vista fenomenológico estrutural, é um processo de estruturação do sujeito em relação ao mundo. Os eixos estruturais de intersubjetividade, temporalidade e espacialidade se expandem gradualmente no desenvolvimento típico, contando com a participação ativa do desenvolvimento de linguagem.</p>Cristiane Messas
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2026-08-082026-08-08152652652Suicídio na Adolescência
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<p>Esta apresentação propõe uma leitura fenomenológico-estrutural do suicídio na adolescência, como uma possibilidade facilitada pela situação de extrema modificação dessa fase.</p>Daniela Ceron-Litvoc
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2026-08-082026-08-08152653653TDAH em mulheres sob a lente fenomenológica
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<p>O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) costuma ser definido como um transtorno do desenvolvimento caracterizado por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. O TDAH adulto é caracterizado por deficiências no funcionamento executivo, o sistema de coordenação central do cérebro responsável por guiar e regular o comportamento humano, com destaque para as funções de autorregulação e inibição de comportamentos.</p>Elvira Ribeiro Madeira Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152654655O praecox feeling e a incompreensibilidade empática na esquizofrenia
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<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">Este artigo explora o <em>Praecox Feeling</em> (PF), conceito cunhado por Rümke (1941), que descreve a sensação de estranheza e incompreensibilidade empática vivenciada por clínicos no encontro com pacientes esquizofrênicos. A partir da fenomenologia de Merleau-Ponty (MP), em especial de sua obra <em>Fenomenologia da Percepção</em> (1945), busca-se elucidar as condições de possibilidade desse fenômeno, articulando-o com as noções de corporeidade e intersubjetividade.</span></p>Flávio Guimarães-Fernandes
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2026-08-082026-08-08152656657Fenomenologia clínica do tempo vivido na urgência psicológica
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<p>A urgência psicológica costuma ser associada a manifestações intensas de sofrimento e à demanda por ações imediatas. No entanto, ainda há certa indefinição conceitual entre termos como urgência psicológica, emergência psiquiátrica e crise.</p>Francisco Luan de Souza CarvalhoLucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152658658Entre Barthes e Merleau-Ponty
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<p>Esta apresentação propõe uma aproximação fenomenológica da experiência amorosa a partir do diálogo entre Fragmentos de um discurso amoroso (1977), de Roland Barthes, e Fenomenologia da percepção (1945), de Maurice Merleau-Ponty – para além das teorias sobre o amor.</p>Gabriel Engel Becher
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2026-08-082026-08-08152659659Corpo, Mundo e Sentido
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<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">O caso clínico apresentado trata de C., um homem de 60 anos, com características compatíveis com estrutura esquizoide, marcada por retração afetiva, dificuldade de inserção no mundo compartilhado e intensa verticalização subjetiva. Desde o nascimento, C. vivenciou experiências precoces de rejeição e falha no cuidado materno: sua mãe passou por um luto intenso na gestação, teve depressão pós-parto e demonstrou rejeição, segundo relatos das irmãs. Desde a infância, C. se mostrou isolado, crítico e diferente, mantendo vínculos frágeis e ambivalentes.</span></p>Gabriela Bonissoni Liberali
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2026-08-082026-08-08152660660TDAH, medicalização e clínica
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<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, sobretudo a partir dos anos 1990, passou a registrar um aumento expressivo nos diagnósticos, acompanhado pelo crescimento do uso de psicoestimulantes (Parnas, 2021; Henriksen & Parnas, 2019). Esse fenômeno insere-se em um processo mais amplo de medicalização, no qual experiências humanas complexas são transformadas em categorias médicas e tratadas como disfunções químicas a serem corrigidas (Amarante & Freitas, 2017).</span></p>Gabriela Frota de Paula Pessoa
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2026-08-082026-08-08152661662Ludoterapia centrada na pessoa autista na perspectiva fenômeno-estrutural
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<p>O processo clínico em psicologia com crianças e/ou adolescentes costuma ser viabilizado pela dimensão lúdica. Convencionou-se denominá-lo de ludoterapia. Na perspectiva humanista de ludoterapia, o brincar é entendido como um meio expressivo primordial.</p>Gisella Mouta FaddaRosa Angela Cortez de Brito
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2026-08-082026-08-08152663663Considerações sobre o amor e o ciúme em A chave, de Junichiro Tanizaki
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<p>O romance <em>A chave</em>, do escritor japonês Junichiro Tanizaki, concede elementos que permitem uma instigante possibilidade de reflexão sobre a relação entre sexualidade e fenomenologia. Tanizaki conta a história de um casal em que marido e esposa escrevem separadamente seus respectivos diários, a princípio sem revelar o conteúdo ao parceiro, expressando nas páginas intensas confissões de caráter erótico.</p>José Henrique Sousa Luz
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2026-08-082026-08-08152664664Frantz Fanon e a Fenomenologia
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<p>A apresentação tem como objetivo estabelecer uma ponte entre a obra de Frantz Fanon e a fenomenologia, destacando suas implicações para a clínica ampliada e para a crítica das instituições em contexto colonial. Partindo de <em>Pele Negra, Máscaras Brancas</em>, o autor se propõe a responder a três questões principais: qual a fenomenologia presente nesse livro, como Fanon concebe a intersubjetividade e quais as consequências clínicas e contemporâneas de sua teoria.</p>Hernani Pereira dos Santos
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2026-08-082026-08-08152665666Sintomas obsessivo-compulsivos e psicoses endógenas
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<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">A inespecificidade dos sintomas obsessivo-compulsivos (SOCs) é reconhecida desde a psicopatologia clássica, seja pela sua presença no curso de psicoses endógenas (Bleuler, Schneider) ou de forma episódica/crônica em afecções não psicóticas graves (Kernberg, Hoch-Poulatin). A partir da perspectiva fenomenológica-dialética, este trabalho busca evidenciar o significado estrutural dos SOCs no contexto das psicoses endógenas, restringindo-se a comentários clínico-psicopatológicos.</span></p>Igor Studart
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2026-08-082026-08-08152667668Primeiras crises psíquicas
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<p>A crise psíquica é uma manifestação recorrente em quadros psicopatológicos (pródromos), mas também em nossas vivências diárias e de desenvolvimento. Marcada pela desorganização do eu-em-construção-histórica e do mundo circundante-vivido, manifesta-se como um momento em que se vivencia desequilíbrios significativos em diferentes dimensões.</p>Ileno Izidio da Costa
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2026-08-082026-08-08152669670Pour une éthique, une citrique et une clinique de l'inutile en psychopathologie phénoménologique
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1407
<p>La clinique de la schizophrénie interroge une dimension essentielle des choix et décisions dans le processus clinique notamment en ce qui concerne la verbalisation narrative à propos du vécu. Classiquement, on estime qu’une rencontre intersubjective autour de l’expérience profonde est un moment qui peut être décisif pour les personnes (qu’elles soient malades mentales ou non).</p>Jérôme Englebert
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2026-08-082026-08-08152671671A fenomenologia da hiper-reflexividade e a(s) experiência(s) esquizofrênica(s)
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<p>Na psicopatologia fenomenológica, a esquizofrenia é compreendida como uma alteração profunda da estrutura da experiência vivida. Um dos fenômenos centrais é a hiper-reflexividade: uma forma excessiva de atenção voltada para si mesmo, que torna explícito e problemático aquilo que, na vida cotidiana, é vivido de maneira tácita, como o corpo próprio, o pensamento ou a relação com os outros.</p>Juliana Pita
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2026-08-082026-08-08152672672Entre a doença oncológica e o transtorno psíquico
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1409
<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">Esta apresentação propõe uma reflexão sobre as particularidades da experiência do duplo adoecimento — oncológico e psíquico — durante a adolescência. Para dar voz a essa vivência, relataremos a trajetória de uma adolescente que realiza tratamento oncológico. Com base na escuta clínica, articulada com a literatura de pesquisas qualitativas sobre a vivência do adoecimento nessa população, será desenvolvida uma discussão de inspiração fenomenológica, à luz da experiência vivida. </span></p>Laura Ciaramello VieiraMarina Guitti de SouzaDaniela Ceron-LitvocEloisa Helena RubelloValler Celeri
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2026-08-082026-08-08152673674Entre filosofia, psiquiatria e psicologia
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1410
<p>Esta conferência propõe uma reflexão sobre o lugar — ou o não-lugar — da Psicopatologia Fenomenológica (PF) no cenário clínico contemporâneo. A partir de uma abordagem inspirada na ambiguidade merleau-pontyana, defende-se que a PF não se fixa em um território único, mas se constitui no entrelaçamento entre filosofia, psicologia e psiquiatria</p>Lucas Bloc
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2026-08-082026-08-08152675675Vivir es escribir el poema que somos. Ficciones literarias, sentido e identidad
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1411
<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">La conferencia se propone indagar en el rol de la ficción literaria en la constitución del sentido y de la identidad personal. El punto de partida es una pregunta recurrente en la tradición filosófica y literaria: ¿por qué leemos y producimos ficciones? Si bien las neurociencias de la narrativa han mostrado que la ficción cumple funciones adaptativas —facilita la cognición social, promueve la cohesión comunitaria, fomenta la internalización de normas y la elaboración de estrategias para la vida real—, aquí se argumentará que su papel más decisivo reside en la configuración de la subjetividad y en la construcción de sentido.</span></p>Martín Buceta
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2026-08-082026-08-08152676677A experiência vivida da recuperação na bulimia nervosa
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1412
<p>Esta pesquisa teve como objetivo compreender, sob uma perspectiva fenomenológico-crítica, a experiência de recuperação vivida por mulheres com bulimia nervosa, valorizando os sentidos que emergem em suas trajetórias e o modo como atribuem significados ao processo.</p>Monalisa Teles
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2026-08-082026-08-08152678678A estrutura da maternidade e as possibilidades da sexualidade na experiência materna
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1413
<p>A maternidade, enquanto fenômeno complexo, transcende o mero ato biológico, revelando uma intrincada rede de experiências emocionais, psicológicas e sociais.</p>Raquel Jandozza Batista
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2026-08-082026-08-08152679679Amor em Ellen West
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<p>Este ensaio aborda o caso de Ellen West, destacando a relação entre o amor e a anorexia nervosa sob a ótica da psicopatologia fenômeno-estrutural.</p>Thaís de Castro Gazotti
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2026-08-082026-08-08152680680O lugar da Psicopatologia fenomenológica na psicoterapia com João
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1415
<p>João foi atendido em psicoterapia no enfoque humanista fenomenológica, que é um desenvolvimento clínico contemporâneo, pensado a partir da interseção de três vertentes: 1) a Psicologia Humanista do psicólogo norte-americano Carl Rogers, que fornece a base clínica da relação terapêutica e de facilitação do processo; 2) a Psicopatologia Fenomenológica, que traz a lente sobre as experiências de adoecimento em seus diferentes modos de funcionamento; e 3) a Fenomenologia de Merleau-Ponty, que consiste no fundamento epistemológico para a compreensão dos significados das experiências, fomentando a proposta do método fenomenológico no contexto clínico.</p>Virginia Moreira
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2026-08-082026-08-08152681681A depressividade em mulheres lésbicas
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1416
<p>A depressividade em mulheres lésbicas é um tema de grande relevância clínica e social, especialmente diante dos índices epidemiológicos que apontam maior prevalência de depressão em mulheres, incluindo lésbicas e bissexuais.</p>Waleska Karla Ramos de Macêdo
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2026-08-082026-08-08152682682As crianças também sofrem
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1417
<p>No cenário contemporâneo, muito se tem discutido sobre os temas que atravessam a infância. Desde depressão, questões do neurodesenvolvimento e o uso excessivo de telas até experiências como a ansiedade.</p>Willyan MotaLucas Bloc
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2026-08-082026-08-08152683684Corporeidade e sofrimento em homens de minorias sexuais
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1332
<p>Homens de minorias sexuais tendem a apresentar níveis mais acentuados de insatisfação corporal e maior probabilidade de desenvolver patologias alimentares se comparados aos seus pares heterossexuais. A literatura científica corrente sugere um papel significativo de estressores sociais na criação e manutenção deste cenário, os quais parecem operar na transformação das experiências de corpo e de identidade desses homens.</p>Paulo Yuri Pinheiro da Nóbrega Victor Monteiro Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152530531Compreensão da ansiedade no setting clínico
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1333
<p>A ansiedade, comumente enquadrada como transtorno psíquico por referenciais biomédicos, assume contornos distintos quando compreendida à luz da psicopatologia fenomenológica.</p>Idálya Nogueira LoboNicole Gomes SilvaAnna Karynne Melo
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2026-08-082026-08-08152532533Entre o cuidado e o adoecimento
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1334
<p>Na contemporaneidade, a pressão com a estética corporal e a busca pelo corpo ideal ganhou destaque entre a vida e a rotina das pessoas, especialmente das mulheres. Em 2023, o Brasil realizou 3,4 milhões de procedimentos, sendo 1,2 milhões de procedimentos estéticos não cirúrgicos.</p>Letícia Coelho Bezerra de Meneses
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2026-08-082026-08-08152534535Corpos (in)visíveis
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1335
<p>A obesidade pode ser estabelecida, do ponto de vista biológico, principalmente pelo excesso de gordura corporal, sendo considerada uma doença crônica multifatorial, influenciada, também, por elementos sociais, culturais e econômicos. Seu diagnóstico envolve o uso do IMC e de medidas complementares, reconhecida como uma epidemia global.</p>Flora Dimitria Melo OliveiraCamila Pereira de Souza
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2026-08-082026-08-08152536537A experiência como ponto de encontro entre a abordagem centrada na pessoa e a psicopatologia fenomenológica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1336
<p>A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Carl Rogers, é uma abordagem terapêutica e filosófica que enfatiza a importância da experiência relacional por meio da autenticidade tendo como base uma relação terapêutica de confiança entre o psicólogo e o cliente.</p>Lúcio Vânio da Silva Costa
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2026-08-082026-08-08152538539Psicopatologia, fenomenologia e relação terapêutica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1337
<p>A experiência clínica psicoterápica convida seus participantes constantemente a encontrar-se com os mais diversos e particulares mundos vividos, como exercício constituinte do próprio fazer do psicoterapeuta. Um ponto de particular inflexão, no entanto, propõe-se no início do contato clínico dos estudantes de psicologia com um outro real, em um entrelaçamento no qual olhares se cruzam, intencionalidades encarnam-se em gestos e as inquietações trazidas não mais estão limitadas a palavras em uma folha de papel.</p>Miguel Almada Horta MonteroGarlana Lemos de Sousa
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2026-08-082026-08-08152540541Para além da patologização
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<p>Na contemporaneidade, a ansiedade tem sido frequentemente tratada sob um viés patologizante, sendo dissociada de sua dimensão existencial e reduzida a uma mera manifestação disfuncional, enquadrada em categorias diagnósticas. Essa perspectiva gera uma problemática central: a descaracterização da ansiedade como fenômeno inerente à condição humana, transformando-a em objeto, limitando as possibilidades de compreensão e cuidado clínico.</p>Alison Lopes dos SantosJuliana Pita de Albuquerque Pereira
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2026-08-082026-08-08152542543O resgate do corpo sensível
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<p>A integração entre arte e psicoterapia pode ser uma ferramenta de promoção da saúde. A Terapia Expressiva, atrelada à Abordagem Centrada na Pessoa, utiliza recursos criativos para favorecer a expressão subjetiva, valorizando acolhimento e escuta empática. Contudo, pode incorrer em uma leitura com enfoque subjetivista da experiência.</p>Isadora Marques VianaCamila Pereira de Souza
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2026-08-082026-08-08152544545A (in)definição da urgência psicológica e seus desdobramentos clínicos
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1340
<p>A noção de urgência psicológica é amplamente utilizada nos contextos clínico, acadêmico e institucional, mas ainda carece de uma definição clara, consolidada e consensual nas produções em saúde mental. Este trabalho apresenta resultados parciais de uma revisão de escopo que visa mapear como a urgência psicológica tem sido conceituada e abordada nas diferentes perspectivas teóricas e práticas da psicologia e da psiquiatria, identificando seus desdobramentos clínicos e principais lacunas conceituais.</p>David Lino Lobo Marques Francisco Luan de Souza Carvalho Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152546546Religiosidade e esquizofrenia
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<p>A psicopatologia fenomenológica surgiu como uma compreensão das experiências de adoecimento a partir da descrição das condições de existência subjetivas. Desta forma, o fenômeno jamais seria visto como um elemento isolado, mas sim, como uma expressão do mundo vivido.</p>Marina Simas LealSara Guerra Carvalho de Almeida
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2026-08-082026-08-08152547548“Quando, na verdade, a vitória é dar consciência de si mesmo”
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1342
<p>O presente trabalho tem como propósito compreender, de maneira ética e crítica, as expressões do sofrimento psíquico, utilizando a entrevista clínica de anamnese como método de investigação e de atuação na Psicologia. Essa atuação desenvolveu-se a partir de uma experiência prática como psicólogo em formação durante o Estágio Básico, no curso de graduação em Psicologia em uma universidade do Nordeste do Brasil.</p>João Guilherme Jatay Mota GarrosRafael Ayres de Queiroz
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2026-08-082026-08-08152549550A ambiguidade do corpo em cena
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<p>A psicopatologia fenomenológica dedica-se a compreender as formas de estar-no-mundo e suas experiências de adoecimento, descritas na forma de categorias fenomenológicas, como o corpo. Tais dimensões possibilitam apreender o mundo vivido (psico)patológico por uma lente compreensiva e crítica.</p>Valdenia Maria Lima Leandro Saraiva Juliana Pita de Albuquerque Pereira
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2026-08-082026-08-08152551552A co-experiência na supervisão humanista-fenomenológica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1344
<p>Este trabalho apresenta um relato de sentido elaborado a partir da experiência clínica de duas estagiárias de Psicologia, que acompanharam, em atendimentos individuais distintos, uma mãe de 28 anos e sua filha de 7 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), no contexto de estágio curricular em clínica-escola. Fundamentado na abordagem humanista-fenomenológica e nos conceitos desenvolvidos por Maurice Merleau-Ponty, o estudo visa discutir a supervisão clínica como espaço formativo e intersubjetivo de constituição de sentido, atravessado pela corporeidade, ambiguidade e historicidade das experiências clínicas.</p>Lara Vasconcelos HolandaRosa Gonçalves RegadasJuliana Pita de Albuquerque Pereira
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2026-08-082026-08-08152553554Entre bipolaridade e esquizoafetividade
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1345
<p>Os diagnósticos psiquiátricos não apenas classificam quadros, mas reconfiguram a linguagem e os horizontes de interpretação do sofrimento, incidindo sobre a forma como as pessoas nomeiam e vivem aquilo que lhes acontece. Partindo dessa premissa, interrogamos de que modo a mania se mostra no mundo vivido de pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar ou esquizoafetividade, tomando a fenomenologia como via para descrever a experiência sem reduzi-la a marcadores nosográficos.</p>Juliana Lima de Araújo
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2026-08-082026-08-08152555556Plantão psicológico humanista-fenomenológico para mulheres vítimas de violência na Associação Marta
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1346
<p>O Plantão Psicológico (PP) se configura como uma modalidade de atendimento psicológico singular, pontual e focada na resolução de demandas imediatas, distinguindo-se da psicoterapia tradicional. No Brasil, a violência contra a mulher é um problema social estrutural, perpetuado por padrões culturais e sociais que reforçam a desigualdade de gênero.</p>Sarah Rebeca Viana Barreto Andressa Esteves
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2026-08-082026-08-08152557558Fenomenologia e experiência vivida
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1347
<p>Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a abordagem fenomenológica existencial à luz da experiência clínica e institucional, destacando o papel da subjetividade e da escuta sensível na constituição do cuidado. A partir das contribuições de autores como Edmund Husserl, Martin Heidegger, compreende-se que a fenomenologia não se restringe a uma metodologia, mas sim a uma postura ética diante do outro, que reconhece a complexidade da existência humana e suas múltiplas formas de manifestação.</p>Gabriela Gomes Freitas Benigno
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2026-08-082026-08-08152559559“Eu me sinto oca por dentro”
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1348
<p>A educação profissional de jovens aprendizes no Brasil está em um contexto permeado por vulnerabilidades sociais, emocionais e existenciais que estão para além dos muros da escola, porém, impactam diretamente no processo de ensino aprendizagem. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) é definida como uma modalidade de educação que se integra a diferentes níveis de educação.</p>Ana Gabriella Oliveira MagalhãesJanice Dantas Peixoto
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2026-08-082026-08-08152560561“A dor é minha só e de mais ninguém”
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1349
<p>O trabalho analisou as manifestações do sofrimento psíquico humano adotando a entrevista clínica como técnica de investigação e de atuação na Psicologia. Tal atuação se desdobrou de uma experiência como psicóloga clínica em formação no Estágio Básico de uma Universidade do Nordeste do Brasil.</p>Julia Oliveira da SilvaSâmia de Carliris Oliveira Barbosa
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2026-08-082026-08-08152562563A purificação do corpo de Joana
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1351
<p>O presente trabalho tem como objetivo relatar e analisar, sob a ótica da psicopatologia fenomenológica, a experiência de entrevista clínica a uma jovem em sofrimento psíquico relacionado ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), atendida no Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) de uma Universidade do Nordeste do Brasil, no contexto de Estágio Básico do Curso de Psicologia.</p>Guilherme de Souza Araújo Vitória Lima Sousa Samia de Carliris Oliveira Barbosa
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2026-08-082026-08-08152564565Acompanhamento terapêutico e intercorporeidade na esquizofrenia
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1352
<p>Este trabalho apresenta uma reflexão sobre o Acompanhamento Terapêutico (AT) como dispositivo alinhado à fenomenologia clínica, com foco nas patologias estruturais – que, segundo Messas (2021), apresentam rompimento da fundamentação intersubjetiva das experiências. Por meio de um relato clínico narrativo, busca-se compreender como a mediação da rua, o deslocar-se em conjunto e o compartilhar de uma refeição podem favorecer a construção do vínculo terapêutico e a abertura intersubjetiva.</p>Mayra WainstokGabriel Engel Becher
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2026-08-082026-08-08152566567Análise dos aspectos psicopatológicos da abordagem centrada na pessoa
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1353
<p>O presente texto se trata de um ensaio teórico que visa realizar uma análise crítica acerca dos processos de adoecimento observados na Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) a partir da ótica da psicopatologia tradicional (modelo médico), destrinchando os aspectos psicopatológicos daquela sob a ótica desta e acolhendo as tensões que dali surgem. Uma vez que o modelo médico é hegemônico e reproduz iatrogenias e discursos patologizantes da vida, se faz necessário explorar novas alternativas relacionais e operativas no âmbito da saúde mental, especialmente em espaços do SUS (Sistema Único de Saúde).</p>Rodrigo Ferreira Maciel
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2026-08-082026-08-08152568569Esquizofrenia e alterações do self
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1354
<p>A esquizofrenia é um fenômeno complexo, marcado por sintomas como alucinações, delírios e desorganização do pensamento. Sua etiologia complexa passou por importantes mudanças ao longo da história, porém a hegemônica descrição sintomatológica, mostra-se insuficiente para compreender a totalidade da experiência da pessoa com esquizofrenia.</p>Isabela Maia FeitosaMaria Clara de Vasconcelos Romero Camila Pereira de SouzaLucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152570571O fenômeno da ansiedade na cultura digital
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1355
<p>As novas tecnologias, atreladas à presença massiva da internet, trouxeram mudanças significativas para a vida cotidiana em decorrência da velocidade de comunicação, da troca de informações em tempo real e do encurtamento dos espaços geográficos com a realidade virtual.</p>Isabela Maia FeitosaBruna Sendy JocaCamila Pereira de Souza
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2026-08-082026-08-08152572573Entre rótulos e presenças
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1356
<p>No cenário contemporâneo da psicologia clínica, observa-se um predomínio inquietante da lógica nosológica — um paradigma que busca enquadrar o sofrimento humano em categorias diagnósticas rigidamente delimitadas. Essa hegemonia classificatória, sustentada por sistemas como o <em>DSM-5</em> (APA, 2013) e a <em>CID-11</em> (OMS, 2019), promove um silenciamento da existência, na medida em que o sujeito passa a ser reduzido à abstração de um código clínico.</p>Maria Alicya Teixeira Alves Firmo
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2026-08-082026-08-08152574575Fusão e guerra com o desejo
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1357
<p>As referências à hipersexualidade antecedem a clínica: na Grécia antiga, os Sátiros - conhecidos pela “gozação” - eram retratados com desproporcionais falos eretos. As graciosas Ninfas seduziam homens e deuses para aventuras apaixonadas. Krafft-Ebing (1886) categoriza os comportamentos sexuais desviantes, e inaugura o uso clínico dos termos “satiríase” e “ninfomania” para descrever a sexualidade excessiva em homens e mulheres, respectivamente.</p>Louise de Lemos BrembergerGabriel Engel Becher
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2026-08-082026-08-08152576577Corporeidade e Subjetividade na Gestação
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1358
<p>Este estudo investiga a experiência vivida de uma gestante que enfrenta sofrimento relacionado a transtornos alimentares sem atender aos critérios diagnósticos tradicionais de anorexia nervosa. A problemática central reside na limitação da abordagem criteriológica dominante, que subestima a prevalência real dessas condições ao considerar apenas diagnósticos manuais rígidos.</p>Paula Costa Martinez
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2026-08-082026-08-08152578579Vivências corporais da ansiedade
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1359
<p>A ansiedade é uma condição prevalente e multifacetada, caracterizada por sintomas cognitivos, emocionais e comportamentais. No entanto, estudos recentes têm destacado que a experiência ansiosa se expressa de maneira significativa na dimensão corporal, alterando na percepção da forma como o sujeito habita a própria corporalidade.</p>Artur Jorge de Sousa Costa Juliana Lima de Araújo Manuela Pinto Sampaio de Albuquerque
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2026-08-082026-08-08152580581Neonaturalismo e a tentativa de neutralização da angústia a partir da psicologia fenomenológica-existencial
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1360
<p>A tonalidade afetiva da angústia é uma provocação ontológica, visto que as perguntas que incorporam o que sentimos e por que sentimos trazem inquietações importantes para a nossa era de pós-verdade. O tempo do avanço da tecnologia é marcado como pós-verdade, temporalidade esta que a comunicação instantânea possibilita o debate massificado e o contato com experiência de diversas pessoas em vastos lugares.</p>Rosymile Andrade de Moura
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2026-08-082026-08-08152582583O fascínio por classificações diagnósticas na formação em Psicologia
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1361
<p>A superação do modelo biomédico na investigação das psicopatologias ou transtornos mentais é uma discussão que deve ser retomada. A apropriação dos determinismos classificatórios nas ciências naturais foi determinante para que um rompimento das humanidades (ciências humanas) propusesse novas formas de interpretação e compreensão do ser.</p>Rosymile Andrade de Moura
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2026-08-082026-08-08152584585A depressão pós-parto sob a lente da psicopatologia fenomenológica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1362
<p>A depressão pós-parto pode ser compreendida como um modo de ser global da mulher que se constitui a partir de alterações do modo de vivenciar o corpo, o tempo, o espaço, a relação com o outro e consigo própria (noção de <em>self</em> ou identidade). Ainda que o diagnóstico seja um momento importante na compreensão do fenômeno psicopatológico da depressão pós-parto, ressaltamos a necessidade do contato com a experiência vivida da pessoa em sofrimento, para ampliar a compreensão de seu processo de adoecimento, indo para além da sintomatologia.</p>Caroline Vasconcelos Lucas Bloc Virgínia Moreira
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2026-08-082026-08-08152586587Aproximações fenomenológicas entre as experiências de ansiedade e TOC
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1363
<p>Os estudos sobre a ansiedade como quadro patológico tem se expandido em decorrência de sua maior prevalência em escala global. A ansiedade é caracterizada por um estado de tensão regido por sensações de angústia, medo paralisante, aceleração de comportamentos e pensamentos. Vale destacar que a ansiedade, além de ser considerada um transtorno específico, a saber: os transtornos de ansiedade, também atravessa diversos quadros patológicos como sintoma ou parte de seu estilo existencial.</p>Eduardo Barreto Fernandes SilvaCamila Pereira de SouzaLucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152588589TDAH na Infância e Adolescência sob uma Perspectiva Fenomenológica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1364
<p>Este estudo propõe uma abordagem fenomenológica ao Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes, com ênfase na compreensão das vivências subjetivas e a complexidade existencial dos indivíduos diagnosticados. Distanciando-se da perspectiva restrita aos critérios biomédicos, a investigação utiliza conceitos fundamentais de Merleau-Ponty e Minkowski para analisar como as categorias de Corpo, Espaço, Tempo e Outro moldam a experiência desses sujeitos.</p>Camilla Braga MaiaManuela Pinto Sampaio de AlbuquerqueJuliana Lima de Araújo
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2026-08-082026-08-08152590591Luto na terapia centrada na pessoa
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1365
<p>Este estudo analisa o processo terapêutico de elaboração de luto de uma cliente, que perdeu seu pai na pandemia de COVID-19. Verifica-se que há uma escassez de estudos empíricos, no Brasil, sobre processo terapêutico e os efeitos da intervenção clínica centrada na pessoa, principalmente no panorama de estudos sobre luto e perdas, além da existência de poucas pesquisas nacionais clínicas que utilizem instrumentos de avaliação da terapia.</p>Maria Júlia Girão AraújoPaulo Coelho Castelo Branco
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2026-08-082026-08-08152592593A experiência do residente de psiquiatria no ensino de psicopatologia no contexto do SUS
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1366
<p>Introdução: O estudo investiga a experiência de residentes de psiquiatria em formação no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente com relação ao ensino de psicopatologia.</p>Paula Schettino RigolonOctavio Domont de Serpa Junior
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2026-08-082026-08-08152594595Os benefícios da arteterapia pelo olhar da Psicopatologia Fenomenológica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1367
<p>A psicopatologia fenomenológica constitui uma abordagem teórica e clínica que busca compreender as experiências subjetivas dos indivíduos em seu modo de ser e perceber o mundo, fundamentada nos princípios da fenomenologia filosófica. Essa perspectiva enfatiza a importância de explorar a experiência vivida, priorizando a descrição detalhada das manifestações subjetivas sem reduzir ou patologizar prematuramente esses fenômenos, especialmente, na presença de experiências marcadas por transtornos mentais.</p>Sofia Cruz Mendes de AbreuEmile Martins Lira
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2026-08-082026-08-08152596597Quantas gotas são necessárias até que esse copo transborde? Escutas clínicas do sofrimento masculino
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1368
<p>Este trabalho apresenta a análise de dois casos clínicos conduzidos no Serviço de Práticas Psicológicas (SPP) da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), com base na abordagem fenomenológica do sofrimento psíquico masculino. Os participantes, jovens adultos, buscaram atendimento com suspeita de TDAH, mas a escuta clínica revelou modos de existir atravessados por sobrecargas afetivas e imposições da masculinidade normativa.</p>Ariane Hillery Ribeiro SilvaJorhan Marinho de Almeida
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2026-08-082026-08-08152598599Relato de caso de esquizofrenia com sintomas obsessivos compulsivos
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1369
<p>Introdução: A relação da esquizofrenia com sintomas obsessivos compulsivos ou transtorno obsessivo compulsivo é descrita na literatura, mas ainda pouco entendida e ignorada pelos manuais diagnósticos. A investigação fenomenológica contribui para a compreensão estrutural dessas perturbações, incluindo o modelo do distúrbio do self para esquizofrenia e o da constituição antieidética para o transtorno obsessivo compulsivo. Problemática: Como se dá a relação constitutiva da experiência obsessiva-compulsiva em pacientes com esquizofrenia?</p>Sthefano Machado dos Santos
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2026-08-082026-08-08152600601“Sem provar a cachaça”
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1370
<p>Os transtornos por uso de álcool (DSM-5), que na CID-10 são divididos em abuso e dependência de álcool, estão entre os transtornos psiquiátricos mais comuns e os mais frequentes entre homens e, entre mulheres, o mais frequente, depois dos transtornos de ansiedade. O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS-AD) aparece como um serviço facilitador do processo de tratamento e de recuperação, pois é um dispositivo de saúde de caráter aberto e comunitário, especializado em tratamento de saúde mental e reinserção social de pessoas com algum transtorno mental severo e abuso de álcool e outras drogas.</p>Leticia Coelho Bezerra de MenesesSofia Cruz Mendes de Abreu
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2026-08-082026-08-08152602603Da fenomenologia clássica à crítica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1371
<p>O conceito de gênero surge como uma resposta crítica às concepções essencialistas que reduzem a existência humana a determinações biológicas associadas ao sexo. Segundo essa visão, ao nascer, as experiências e os papéis sociais do indivíduo seriam naturalmente determinados pela genitália</p>Islay Ianne Ponte ParenteMaria Clara de Matos Dourado Simões Waleska Karla Ramos de Macêdo Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152604605A noção de self na experiência dos transtornos alimentares
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1372
<p>A Psicopatologia Fenomenológica oferece uma perspectiva valiosa para a compreensão dos Transtornos Alimentares, por transcender abordagens centradas exclusivamente em mudanças comportamentais e na remissão sintomática. Essa lente busca uma compreensão profunda do que fundamenta a experiência psicopatológica em suas condições de possibilidades: corpo, tempo, espaço, outro e self. Partindo desse referencial teórico, entendemos que no vivido dos Transtornos Alimentares ocorrem alterações na experiência corporal e no self, fundamentada pela supremacia do olhar do outro.</p>José Waldo Saraiva NetoAnna Gabrielle Andrade Gonçalves Juliana Lima de Araújo Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152606607Transe como alívio para o vivido depressivo
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1373
<p>O presente trabalho surge da proposta do Estágio Básico V do curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza, que visa à compreensão do sofrimento psíquico a partir da escuta clínica. Ao longo da história da psicopatologia, os critérios de normalidade e patologia foram sendo reconfigurados, muitas vezes reduzindo o sofrimento humano a categorias diagnósticas generalizantes.</p>Ana Valquíria de Freitas Ribeiro Islay Ianne Ponte Parente Lucas Lima Campos
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2026-08-082026-08-08152608609A psicopatologia fenomenológica no abuso do álcool e outras drogas
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1374
<p>A psicopatologia fenomenológica constitui uma abordagem teórica e clínica que busca compreender as experiências subjetivas dos indivíduos em seu modo de ser e perceber o mundo. Fundamentada nos princípios da fenomenologia filosófica, essa perspectiva enfatiza a importância de explorar a experiência vivida, priorizando a descrição detalhada das manifestações subjetivas sem reduzir ou patologizar prematuramente esses fenômenos, especialmente na presença de experiências marcadas por transtornos mentais, dentre eles o transtorno por uso de álcool devidos ao uso de substâncias psicoativas.</p>Sofia Cruz Mendes de AbreuJuliana Lima de Araújo
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2026-08-082026-08-08152610611Bordando afetos
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1376
<p>As oficinas de criatividade para mulheres foram propostas como alternativa para acolher a experiência das mães que acompanhavam seus filhos em atendimento psicológico no Serviço Escola de Psicologia da Universidade Federal do Delta do Parnaíba. O bordado, atividade tradicionalmente vinculada ao feminino e marginalizada como trabalho doméstico artesanal, foi escolhido como recurso manual expressivo para as oficinas devido ao seu valor simbólico, político e subjetivo</p>Mharianni Ciarlini de Sousa BezerraLetícia Vieira Goulart Anna Victoria Freitas MartinsHudson Cesar de Souza Barao Vieira
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2026-08-082026-08-08152612613Transtorno afetivo bipolar no CAPS
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1377
<p>No Brasil, o surgimento de novas formas de cuidado voltadas à saúde mental dos indivíduos é historicamente recente e tornou-se possível dentro de um contexto sócio-político complexo, pelos seus modelos assistenciais. Nesse contexto, surgem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) procurando oferecer um espaço institucional que favoreça a reinserção na vida civil. No estado do Ceará, o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) está entre os casos mais incidentes na atenção pública à saúde mental, todavia a concepção do TAB e o seu cuidado se encontram em contínua mudança, pelo movimento histórico conceitual no campo psicopatológico.</p>Bruna Soares Picanço Juliana Lima de Araújo
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2026-08-082026-08-08152614615Quando o mundo se esvazia
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1378
<p>Este trabalho consiste em um estudo de caso da paciente Camila, vivenciado na prática de estágio clínico na Universidade de Fortaleza no período de 2023 e 2024, utilizando uma compreensão humanista-fenomenológica acerca da depressão, a partir de uma perspectiva crítica sobre a experiência do adoecimento. A compreensão diagnóstica não objetivou a classificação do paciente em enquadramentos nosográficos e sim uma percepção da singularidade de seu funcionamento, considerando o olhar para o seu mundo vivido.</p>Isadora Lima PeixotoKarla Carneiro Romero
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2026-08-082026-08-08152616617Ansiedade enquanto fenômeno social e intersubjetivo
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1379
<p>A ansiedade é definida enquanto um sentimento de apreensão e desconforto em relação a uma possível ameaça futura. Para a psicopatologia fenomenológica, as experiências ansiosas funcionam enquanto um “desbalanço protentivo”, isto é, são voltadas ao futuro (porvir). Porém, o que se entende socialmente como ansiedade também faz parte da existência humana, a qual é construída por meio de relações intersubjetivas que são estabelecidas.</p>Maria Clara Aguiar MeloLucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152618619A escrita expressiva no contexto psicoterapêutico
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1380
<p>A Escrita Expressiva foi inicialmente pensada pelo psicólogo James W. Pennebaker e é uma modalidade de escrita que tende a ser eficaz àqueles que encontram alívio ao expressar suas emoções. Tal prática pode evocar situações do passado, mas também promover diálogos com o presente, além de possibilitar o sujeito confrontar-se com determinadas situações.</p>Maria Clara Aguiar MeloJuliana Lima de Araújo
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2026-08-082026-08-08152620621O mundo vivido e a percepção alterada em Alice no País das Maravilhas
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1381
<p>Esta pesquisa tem como objetivo realizar uma leitura fenomenológica do filme Alice no País das Maravilhas, propondo uma análise dos personagens secundários como possíveis expressões simbólicas de uma vivência psicótica. A abordagem utilizada é qualitativa, tendo como principal metodologia a análise fílmica, com base em critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos para selecionar cenas e interações relevantes.</p>Maria Clara Santos PinheiroJuliana Lima Araujo Sâmia Carliris Álvaro Rebouças Fernandes
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2026-08-082026-08-08152622633A esquizofrenia à luz da psicopatologia contemporânea
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1382
<p>Desde seu início, a Psicopatologia Fenomenológica tem a esquizofrenia como um de seus temas centrais, buscando compreender o adoecimento do indivíduo a partir da totalidade de sua experiência em entrelaçamento com o mundo e antagonizando os compêndios da psiquiatria clássica. Entende-se a esquizofrenia como um processo de adoecimento multifatorial, vivenciada na interseção entre elementos biológicos, genéticos, neuroquímicos, ambientais, sociais e históricos.</p>Laura Bezerra de Menezes Ferreira Isabela Maia FeitosaJuliana Pita de Albuquerque Pereira Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-08152634635Entre fenomenologia e psicopatologia
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1383
<p>Eugène Minkowski é uma das figuras centraisa interseção entre Fenomenologia e Psicopatologia. Esta pesquisa tem, pois, por interesse aprofundar uma formação nos campos da história da Psicopatologia, especificamente a Psicopatologia fenomenológica de Minkowski no Brasil e, por objetivo, explorar a emergência referenciação à Minkowski e suas obras no Brasil. A justificativa para dar seguimento aos propósitos, é que há pouca produção no paísom relação direta ao autor e a suas obras.</p>Adriano Furtado Holanda Letícia Joana Jardim
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2026-08-082026-08-08152636637A centralidade da psicopatologia fenomenológica para a construção de um novo paradigma da psiquiatria
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1384
<p>Nos últimos anos, são frequentes e consistentes as demandas, na comunidade científica internacional, pela construção de um novo paradigma em saúde mental, diante dos resultados decepcionantes produzidos nos trinta anos de hegemonia do paradigma dominante na atualidade, em termos de diagnóstico, terapêutica, prevenção, direcionamento da pesquisa científica e desenvolvimento de novas práticas sociais que possam efetivamente mitigar a alta incidência e prevalência de transtornos mentais nas sociedades contemporâneas</p>Roberto Mandetta
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2026-08-082026-08-08152638639Elaborações teóricas e práticas do trauma psicológico na psicologia humanista centrada na pessoa e experiencial
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1385
<p>O texto almeja construir uma nova leitura de trauma psicológico, a partir da psicologia humanista, mais especificamente através das vertentes experienciais e centrada na pessoa. Entende-se inicialmente que o trauma psicológico é um fenômeno clínico de alta prevalência no Brasil e no mundo e produz graus de sofrimento elevado para suas vítimas.</p>Rodrigo Ferreira MacielPaulo Coelho Castelo Branco
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2026-08-082026-08-08152640641Uma fenomenologia da depressividade entre os Jenipapo-Kanindé
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1386
<p>Diferentemente dos modelos explicativos tradicionais, a psicopatologia fenomenológica busca compreender as transformações estruturais da existência que se operam nas experiências de adoecimento, tais como se manifestam na corporeidade e na temporalidade vividas. À luz dessa perspectiva, realizamos uma análise da depressividade entre os indígenas Jenipapo-Kanindé, no contexto da cerimônia cultural do Marco-Vivo.</p>Valdenia Maria Lima Leandro Saraiva Carlos Kleber Saraiva de Sousa
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2026-08-082026-08-08152642643Contribuições rogerianas aos conceitos de ansiedade e vulnerabilidade
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1387
<p>Rogers erigiu uma teoria da personalidade e do comportamento humano a partir de estudos clínicos quase-experimentais e laboratoriais experimentais entre 1945 e 1963 nas Universidades de Chicago e Wisconsin. Seus desenvolvimentos teóricos tinham a finalidade de fornecer um alicerce explicativo para sua teoria da psicoterapia, operacionalizando seus conceitos nas condições necessárias e suficientes para a mudança terapêutica da personalidade, na descrição do processo psicoterapêutico e em pesquisas para sua aprimoração.</p>Virgilio Soares Luna CoelhoPaulo Coelho Castelo Branco
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2026-08-082026-08-08152644645Investigando modos de ser no mundo
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1301
<p><span style="font-weight: 400;">Neste artigo, desenvolvemos uma nova abordagem para integrar a fenomenologia filosófica à pesquisa qualitativa. Essa abordagem utiliza os conceitos da fenomenologia - a saber, os existenciais - ao invés de seus métodos (como a </span><em><span style="font-weight: 400;">epoché </span></em><span style="font-weight: 400;">ou as reduções). Apresentamos essa proposta tanto a filósofos quanto a pesquisadores qualitativos, pois acreditamos que a melhor forma de conduzir tais estudos é através da colaboração interdisciplinar. Na seção 1, revisamos o debate sobre o papel da fenomenologia na pesquisa qualitativa, e argumentamos que os pesquisadores qualitativos não têm aproveitado plenamente o que a fenomenologia filosófica tem a oferecer, motivando, assim, a necessidade de novas abordagens. Na seção 2, introduzimos nossa proposta alternativa, que denominamos Pesquisa Qualitativa Fenomenologicamente Fundamentada (PQFF). Estabelecendo paralelos com as aplicações da fenomenologia nas ciências cognitivas, explicamos como fundamentos fenomenológicos podem ser usados para estruturar (</span><em><span style="font-weight: 400;">front-load</span></em><span style="font-weight: 400;">) conceitualmente um estudo qualitativo, estabelecendo um foco direto em uma ou mais estruturas da existência humana, ou do nosso ser no mundo. Na seção 3, ilustramos essa abordagem com um exemplo de estudo qualitativo realizado por um dos autores: uma investigação sobre o impacto existencial do luto pela perda precoce de algum dos pais. Na seção 4, esclarecemos o tipo de conhecimento que os estudos fenomenologicamente fundamentados produzem e como ele pode ser integrado às abordagens vigentes.</span></p>Allan KøsterAnthony Vincent Fernandez
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2026-08-082026-08-0815249852910.37067/rpfc.v15i2.1301Pour une éthique, une citrique et une clinique de l'inutile en psychopathologie phénoménologie
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1253
<p>Este artigo propõe o desenvolvimento de uma ética, uma crítica e uma clínica do inútil no campo da Psicopatologia Fenomenológica, com ênfase na abordagem terapêutica da esquizofrenia. Parte-se da constatação paradoxal de que a principal estratégia terapêutica amplamente empregada, a verbalização narrativa da experiência, é estruturalmente sobreponível ao sintoma cardinal da esquizofrenia, a hiperreflexividade, compreendida como a tendência do sujeito de interrogar reflexivamente fenômenos que deveriam ser vividos de modo tácito e pré reflexivo. Examina-se, nesse contexto, as contribuições e limitações das escalas fenomenológicas EASE e EAWE, apontando que tais instrumentos pressupõem uma correlação entre experiência vivida e sua verbalização que nem sempre se verifica na clínica esquizofrênica. Introduz-se, em seguida, o conceito de self territorial como dimensão intermediária entre o self mínimo e o self narrativo, argumentando que é precisamente esse nível, o do vivido espontâneo, corporificado e relacional, que se encontra perturbado na esquizofrenia e permanece subrepresentado nas abordagens terapêuticas convencionais. A partir dessa análise, defende-se que uma clínica do inútil, constituída por práticas informais e aparentemente destituídas de finalidade terapêutica explícita, como mediações artísticas, interação com animais, o humor e o simples caminhar, pode configurar um engajamento ético mais profundo com o paciente esquizofrênico. Sustenta-se que experimentar o inútil é, paradoxalmente, o que há de mais difícil e de mais necessário na clínica contemporânea. Conclui-se com a proposição de uma walking cure como complemento à talking cure freudiana, afirmando o valor terapêutico da espontaneidade, do passeio e do direito de se perder como condições de possibilidade para o reencontro do sujeito esquizofrênico com a experiência pré-reflexiva da existência.</p>Jérome Englebert
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2026-08-082026-08-08152092610.37067/rpfc.v15i2.1253Por uma ética, uma crítica e uma clínica do inútil na Psicopatologia Fenomenológica
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1317
<p>Este artigo propõe o desenvolvimento de uma ética, uma crítica e uma clínica do inútil no campo da Psicopatologia Fenomenológica, com ênfase na abordagem terapêutica da esquizofrenia. Parte-se da constatação paradoxal de que a principal estratégia terapêutica amplamente empregada, a verbalização narrativa da experiência, é estruturalmente sobreponível ao sintoma cardinal da esquizofrenia, a hiperreflexividade, compreendida como a tendência do sujeito de interrogar reflexivamente fenômenos que deveriam ser vividos de modo tácito e pré reflexivo. Examina-se, nesse contexto, as contribuições e limitações das escalas fenomenológicas EASE e EAWE, apontando que tais instrumentos pressupõem uma correlação entre experiência vivida e sua verbalização que nem sempre se verifica na clínica esquizofrênica. Introduz-se, em seguida, o conceito de self territorial como dimensão intermediária entre o self mínimo e o self narrativo, argumentando que é precisamente esse nível, o do vivido espontâneo, corporificado e relacional, que se encontra perturbado na esquizofrenia e permanece subrepresentado nas abordagens terapêuticas convencionais. A partir dessa análise, defende-se que uma clínica do inútil, constituída por práticas informais e aparentemente destituídas de finalidade terapêutica explícita, como mediações artísticas, interação com animais, o humor e o simples caminhar, pode configurar um engajamento ético mais profundo com o paciente esquizofrênico. Sustenta-se que experimentar o inútil é, paradoxalmente, o que há de mais difícil e de mais necessário na clínica contemporânea. Conclui-se com a proposição de uma walking cure como complemento à talking cure freudiana, afirmando o valor terapêutico da espontaneidade, do passeio e do direito de se perder como condições de possibilidade para o reencontro do sujeito esquizofrênico com a experiência pré-reflexiva da existência.</p>Jérôme EnglebertLucas BlocGabriel Huet
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2026-08-082026-08-08152274410.37067/rpfc.v15i2.1317Entre Filosofia, Psiquiatria e Psicologia
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1296
<p>Este artigo propõe uma reflexão sobre o lugar da Psicopatologia Fenomenológica (PF) no cenário clínico contemporâneo. Sob uma abordagem inspirada na ambiguidade merleau-pontyana, defende-se que a PF não se fixa em um território único, mas se constitui no entrelaçamento entre filosofia, psicologia e psiquiatria. Esse “entre” é apontado como potência crítica, ética e clínica, capaz de sustentar uma prática plural e sensível à experiência vivida. Três perspectivas principais são indicadas. Primeiramente, epistemológica, discute-se a tensa relação entre as fenomenologias filosófica e clínica. Na segunda, apresenta-se um panorama da produção científica dos últimos dez anos (2015-2025). Na terceira, social e política, aborda-se lacunas como a falta de diversidade e a necessidade de incorporar perspectivas críticas (feministas, decoloniais, antirracistas). Conclui-se acerca da necessidade de um chamado à valorização da pesquisa, da experiência em primeira pessoa e da construção de uma PF que se efetive na clínica, como prática viva e ética.</p> <p> </p>Bruna Soares PicançoLucas Guimarães BlocJosé Waldo Saraiva NetoMarianna Facó
Copyright (c) 2026 Bruna Soares Picanço, Lucas Guimarães Bloc, José Waldo Saraiva Neto, Marianna Facó
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2026-08-082026-08-08152456510.37067/rpfc.v15i2.1296Between Philosophy, Psychiatry, and Psychology
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1318
<p>This article reflects on the place of Phenomenological Psychopathology (PP) in the contemporary clinical landscape. Inspired by Merleau-Ponty’s notion of ambiguity, it argues that PP does not belong to a single domain, but emerges through the interweaving of philosophy, psychology, and psychiatry. This “in-between” is understood as a critical, ethical, and clinical potential, supporting a plural practice sensitive to lived experience. Three perspectives are outlined. First, from an epistemological standpoint, it examines the tense relationship between philosophical and clinical phenomenologies. Second, it presents an overview of scientific production over the past decade (2015–2025). Third, from a social and political perspective, it highlights gaps such as lack of diversity and the need to include critical approaches (feminist, decolonial, anti-racist). It concludes by calling for greater recognition of research, first-person experience, and the development of PP as a living, ethical clinical practice.</p>Lucas Guimarães BlocBruna Soares PicançoJosé Waldo Saraiva NetoMarianna Facó
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2026-08-082026-08-08152668610.37067/rpfc.v15i2.1318Alienação social e transtorno mental
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1249
<p><span style="font-weight: 400;">Busca-se, neste trabalho, argumentar que o sofrimento advindo da alienação de cunho social é endêmico na contemporaneidade, e distinto do substrato psicopatológico. A diferenciação entre alienação social e transtorno mental é rara na literatura psicopatológica, o que resulta em limitações nos avanços de abordagens eficazes e específicas para ambas as condições. Dessa forma, compreendo que a Psicopatologia fenomenológica comporta a possibilidade de análise e crítica da condição social do indivíduo, e isso pode se perder se houver um foco que realize a análise das condições de possibilidade da consciência à revelia do meio no qual o sujeito está imerso. Este trabalho se propõe, portanto, a diferenciar a alienação social e o transtorno mental e, assim, demonstrar o risco de patologizar e estigmatizar ainda mais os sujeitos alienados socialmente, indicando tratamentos diferenciais e adequados para pacientes que sofrem com sofrimentos psicopatológicos e sociais. </span></p>André Domenici de Alencar
Copyright (c) 2026 André Domenici de Alencar
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2026-08-082026-08-081528711310.37067/rpfc.v15i2.1249Social alienation and mental disorder
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1319
<p>This paper argues that the suffering arising from socially rooted alienation is endemic in contemporary society and distinct from a psychopathological substrate. The differentiation between social alienation and mental disorder is rare in the psychopathological literature, which limits the development of effective and specific approaches for both conditions. Phenomenological psychopathology, therefore, offers the possibility of analyzing and critiquing the individual’s social condition—a possibility that can be lost if the focus shifts toward examining the conditions of possibility of consciousness in disregard of the milieu in which the subject is immersed. This study thus seeks to distinguish social alienation from mental disorder and to demonstrate the risk of pathologizing and further stigmatizing socially alienated individuals, while indicating differential and appropriate treatments for subjects who suffer from both psychopathological and social forms of distress.</p>André Domenici de Alencar
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2026-08-082026-08-0815211414010.37067/rpfc.v15i2.1319O agora (in)suportável
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1264
<p>O presente artigo tem como objetivo discutir sobre o fenômeno da urgência psicológica em sua dimensão existencial, considerando-o não como mera condição clínica, mas como expressão encarnada e situada da experiência em crise. Parte-se da compreensão de que a urgência psicológica, tradicionalmente compreendida por modelos biomédicos como uma manifestação crítica de sofrimento psíquico que demanda intervenção imediata, é frequentemente reduzida a um conjunto de sintomas e protocolos, desconsiderando sua complexidade existencial. O método consiste em uma análise teórico-fenomenológica, baseada em autores como Merleau-Ponty, Tatossian e Fuchs, e outros autores contemporâneos, articulando conceitos como temporalidade vivida, corpo próprio, intersubjetividade e<em> Lebenswelt</em> (mundo da vida). O trabalho se estrutura em três eixos de discussão: (1) as condições de possibilidade da urgência psicológica, abordando-a como mudança momentânea no modo de viver e no habitar cotidiano; (2) o deslocamento da compreensão biomédica para uma leitura fenomenológica do fenômeno, distinguindo sintoma e fenômeno como categorias centrais na clínica; e (3) as implicações éticas e clínicas de uma escuta ampliada, que privilegie a presença e a co-responsividade no encontro terapêutico. Os resultados teóricos indicam que a urgência psicológica não se restringe a um evento patológico e sintomatológico, mas manifesta um estranhamento no modo de vivência subjetiva do tempo vivido, do corpo e da relação com o Outro, bem como do mundo compartilhado. Conclui-se que a clínica fenomenológica pode acolher essa mudança repentina, não como algo a ser contido, mas como abertura para o cuidado e para a reconstrução de sentido. A urgência psicológica, neste horizonte, pode ser compreendida como expressão da vulnerabilidade existencial e como oportunidade de reabertura ao mundo, exigindo uma ética da presença e da escuta.</p>Francisco Luan de Souza CarvalhoAnne Camile Costa PereiraLucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-0815214116010.37067/rpfc.v15i2.1264The (un)bearable now
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1320
<p>The present article aims to discuss the phenomenon of psychological urgency in its existential dimension, considering it not as a mere clinical condition but as an embodied and situated expression of experience in crisis. It departs from the understanding that psychological urgency, traditionally conceived by biomedical models as a critical manifestation of psychic suffering that demands immediate intervention, is often reduced to a set of symptoms and protocols, disregarding its existential complexity. The method consists of a theoretical-phenomenological analysis, grounded in authors such as Merleau-Ponty, Tatossian, and Fuchs, among other contemporary thinkers, articulating concepts such as lived temporality, the lived body, intersubjectivity, and Lebenswelt (the lifeworld). The paper is structured around three axes of discussion: (1) the conditions of possibility of psychological urgency, addressing it as a temporary shift in one’s mode of living and inhabiting the everyday world; (2) the displacement from a biomedical understanding to a phenomenological reading of the phenomenon, distinguishing between symptom and phenomenon as central categories in clinical practice; and (3) the ethical and clinical implications of an expanded mode of listening, one that privileges presence and co-responsiveness within the therapeutic encounter. The theoretical findings indicate that psychological urgency cannot be restricted to a pathological or symptom-based event but rather manifests a form of estrangement in the subjective experience of lived time, the body, and the relation to the Other, as well as to the shared world. It is concluded that phenomenological practice can welcome this sudden shift not as something to be contained but as an opening toward care and the reconstruction of meaning. Within this horizon, psychological urgency may be understood as an expression of existential vulnerability and as an opportunity for re-engagement with the world, calling for an ethics of presence and listening.</p>Francisco Luan de Souza CarvalhoAnne Camile Costa PereiraLucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-0815216118010.37067/rpfc.v15i2.1320Sintomas obsessivo-compulsivos e psicoses endógenas
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1263
<p>A inespecificidade dos sintomas obsessivo-compulsivos (SOCs) é reconhecida desde a psicopatologia clássica, seja pela sua presença no curso de psicoses endógenas ou de forma episódica/crônica em afecções não psicóticas graves. A partir da perspectiva fenomenológica-dialética, este trabalho busca evidenciar o significado estrutural dos SOCs no contexto das psicoses endógenas, restringindo-se a comentários clínico-psicopatológicos. Inicialmente, discute-se a relação entre SOCs e doença maníaco-depressiva. Na melancolia, a retroversão temporal e a objetivação do tempo favorecem a emergência de fenômenos obsessivos, enquanto na mania, a expansão do polo do Eu dissolve o impasse obsessivo, indicando relações estruturais opostas. Em seguida, examina-se a esquizofrenia por meio do caso clássico de Lola Voss (Binswanger). Lola desenvolve superstições complexas, “compulsão de leitura” e “fobia de roupas”, evoluindo para delírios persecutórios. Binswanger questiona se ideias delirantes podem emergir de ideias obsessivas ou se ambas seriam expressões de um mesmo Humor Delirante. No caso, obsessão e delírio se entrelaçam, formando “tons graduados de estruturas psíquicas”. A análise diacrônica do caso permite articular a clínica clássica com pesquisas atuais, como o estudo de Egea-Fernandez et al. (2024), que identifica duas fases dos SOCs em pacientes em uso de clozapina: uma primeira, correlacionada à gravidade psicótica, e uma segunda, à concentração sérica do fármaco. A primeira fase encontra paralelo no caso Lola; a segunda suscita investigações sobre a “memória corporal” e a corporeidade como dimensão implicada na ação antipsicótica. Conclui-se que a articulação entre leitura fenomenológica e dados empíricos contemporâneos amplia a compreensão dos SOCs nas psicoses endógenas, deslocando o foco de sintomas isolados para fenômenos enraizados na totalidade da experiência psicopatológica, e permitindo pensar a interface entre diagnóstico, estrutura e intervenção terapêutica.</p>Igor Studart
Copyright (c) 2026 Igor Studart
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2026-08-082026-08-0815218119010.37067/rpfc.v15i2.1263Obsessive-compulsive symptoms and endogenous psychoses
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1321
<p>The nonspecific nature of obsessive-compulsive symptoms (OCSs) has been recognized since the era of classical psychopathology, whether due to their presence during the course of endogenous psychoses or their episodic/chronic manifestation in severe non-psychotic disorders. Adopting a phenomenological-dialectical perspective, this study aims to highlight the structural significance of OCSs within the context of endogenous psychoses, limiting the scope to clinical-psychopathological observations. Initially, the relationship between OCSs and manic-depressive illness is discussed. In melancholia, temporal retroversion and the objectification of time foster the emergence of obsessive phenomena; conversely, in mania, the expansion of the "Self" pole dissolves the obsessive impasse, pointing to opposing structural relationships. Next, schizophrenia is examined through the classic case of Lola Voss (Binswanger). Lola develops complex superstitions, a "compulsion to read," and a "phobia of clothing," eventually progressing to persecutory delusions. Binswanger questions whether delusional ideas can emerge from obsessive ideas or if both are expressions of the same "Delusional Mood." In this case, obsession and delusion intertwine, forming "graded shades of psychic structures." A diachronic analysis of the case allows for bridging classical clinical practice with contemporary research—such as the study by Egea-Fernandez et al. (2024), which identifies two phases of OCSs in patients taking clozapine: a first phase correlated with psychotic severity, and a second linked to the drug's serum concentration. The first phase finds a parallel in the Lola case, while the second prompts investigations into "body memory" and corporeality as dimensions involved in antipsychotic action. It is concluded that the integration of a phenomenological reading with contemporary empirical data broadens the understanding of SOCs in endogenous psychoses, shifting the focus from isolated symptoms to phenomena rooted in the totality of the psychopathological experience, and enabling an examination of the interface between diagnosis, structure, and therapeutic intervention.</p>Igor Studart
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2026-08-082026-08-0815219120110.37067/rpfc.v15i2.1321O Praecox Feeling e a incompreensibilidade empática na esquizofrenia segundo a descrição da intercorporeidade em Merleau-Ponty
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1248
<p style="text-align: justify;">Este artigo investiga as condições de possibilidade do <em>Praecox-Gefühl</em> (PF), a sensação de estranhamento atmosférico experienciada no encontro com o paciente esquizofrênico, conforme descrita por Rümke. O objetivo é oferecer uma descrição fenomenológica para essa experiência de incompreensibilidade empática, utilizando como base a filosofia de Maurice Merleau-Ponty, especialmente sua obra <em>Fenomenologia da Percepção</em>. A argumentação demonstra como a experiência de um "eu" (corporeidade) e de um "nós" (intercorporeidade) se funda em uma intencionalidade corporal pré-reflexiva, um "corpo anônimo" que nos ancora em um mundo de significações compartilhadas. Através da análise de exemplos clínicos como o membro fantasma e a anosognosia, e do contraste entre a vivência normal e a patológica, o texto revela que a saúde depende de uma harmonia tácita entre o corpo habitual (passado) e o corpo atual (presente), e de uma fusão intercorporal com o outro. Conclui-se que a esquizofrenia se manifesta como uma dupla desarmonia: uma fratura na ponte intersubjetiva que nos conecta aos outros e uma fratura no alicerce que une a própria mente ao próprio corpo. O PF é, portanto, a apreensão clínica direta dessa dupla fratura. Dessa forma, o estudo reafirma o PF não apenas como uma ferramenta diagnóstica, mas como um "fio condutor" que ilumina a arquitetura invisível da existência e aponta novos caminhos para a compreensão da consciência humana.</p>Flavio Guimarães-Fernandes
Copyright (c) 2026 Flavio Guimarães-Fernandes
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2026-08-082026-08-0815220222410.37067/rpfc.v15i2.1248The Praecox Feeling and Empathic Incomprehensibility in Schizophrenia According to Merleau-Ponty’s Description of Intercorporeity
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1322
<p>This article investigates the conditions of possibility for the <em>Praecox-Gefühl</em> (PF), the feeling of atmospheric strangeness experienced in the encounter with the schizophrenic patient, as described by Rümke. It aims to offer a phenomenological description of this experience of empathic incomprehensibility, taking as its basis the philosophy of Maurice Merleau-Ponty, especially his work <em>Phenomenology of Perception</em>. The argument demonstrates how the experience of an “I” (corporeity) and of a “we” (intercorporeity) is founded upon a pre-reflective bodily intentionality, an “anonymous body” that anchors us in a world of shared significations. Through the analysis of clinical examples such as the phantom limb and anosognosia, and through the contrast between normal and pathological lived experience, the text reveals that health depends on a tacit harmony between the habitual body (past) and the actual body (present), and on an intercorporeal fusion with the other. It concludes that schizophrenia manifests as a double disharmony: a fracture in the intersubjective bridge that connects us to others and a fracture in the foundation that unites one’s own mind to one’s own body. PF is, therefore, the direct clinical apprehension of this double fracture. In this way, the study reaffirms PF not only as a diagnostic tool, but as a “guiding thread” that illuminates the invisible architecture of existence and points toward new avenues for understanding human consciousness.</p>Flavio Guimarães-Fernandes
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2026-08-082026-08-0815222524710.37067/rpfc.v15i2.1322Entre Barthes e Merleau-Ponty
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1251
<p style="font-weight: 400;">Este artigo propõe uma aproximação fenomenológica da experiência amorosa a partir do diálogo entre <em>Fragmentos de um discurso amoroso</em> (1977), de Roland Barthes, e <em>Fenomenologia da percepção</em>(1945), de Maurice Merleau-Ponty – para além das teorias sobre o amor. Frente à escassez de registros fenomenológicos que compreendam o amor vivido enquanto origem e evidência da estrutura, expressa no gesto linguístico, busca-se reconstituir o discurso amoroso como fenômeno fundamental da experiência. Mesmo sem vínculos explícitos com a clínica, os autores oferecem, cada qual à sua maneira, subsídios para uma Psicopatologia fenomenológica do enamoramento – subsídios estes que alicerçam o conceito autoral de patologias do amor. Barthes dramatiza o amante como sujeito fragmentado, tensionado pela linguagem, enquanto Merleau-Ponty categoriza a experiência afetivo-sexual como modo original da percepção e do sentido encarnado. A partir disso, propõe-se uma reorganização das figuras barthesianas segundo as condições de possibilidade da experiência amorosa: intersubjetividade, corporeidade, espacialidade, temporalidade e afetividade. Por fim, delineia-se uma terapêutica fenomenológica do amor, ancorada na intercorporeidade e dirigida aos fenômenos máximos do amadurecimento vivido, como saída para as patologias do amor. Este trajeto é condensado em um mapa conceitual – guia de leitura do artigo e síntese das condições e dos desdobramentos fenomenológicos do amor.</p>Gabriel Engel Becher
Copyright (c) 2026 Gabriel Engel Becher
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2026-08-082026-08-0815224826510.37067/rpfc.v15i2.1251Between Barthes and Merleau-Ponty
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1323
<p style="font-weight: 400;">This article proposes a phenomenological approach to the amorous experience through a dialogue between Roland Barthes’s <em>A Lover’s Discourse: Fragments</em> (1977) and Maurice Merleau-Ponty’s <em>Phenomenology of Perception</em> (1945)—moving beyond theories of love. Given the scarcity of phenomenological accounts that conceive of lived love as both origin and evidence of structure, expressed in the linguistic gesture, this study seeks to reconstitute the amorous discourse as a fundamental phenomenon of experience. Even without explicit ties to clinical practice, the authors, each in their own way, provide contributions toward a phenomenological psychopathology of enamoration—contributions that underpin the authorial concept of pathologies of love. Barthes, on the one hand, dramatizes the lover as a fragmented subject, caught in the tension of language, while Merleau-Ponty, on the other, categorizes the affective-sexual experience as an original mode of perception and embodied meaning. Building on this, a reorganization of Barthes’s figures is proposed according to the conditions of possibility of the amorous experience: intersubjectivity, corporeality, spatiality, temporality, and affectivity. Finally, a phenomenological therapeutics of love is outlined, grounded in intercorporeality and oriented toward the maximal phenomena of lived maturation, as a means of addressing the pathologies of love. This trajectory is condensed into a conceptual map—a reading guide for the article and a synthesis of the phenomenological conditions and developments of love.</p>Gabriel Engel Becher
Copyright (c) 2026 Gabriel Engel Becher
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2026-08-082026-08-0815226628310.37067/rpfc.v15i2.1323Considerações fenomenológicas sobre o amor e o ciúme em “A chave”, de Junichiro Tanizaki
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1261
<p>O romance “A chave”, do escritor japonês Junichiro Tanizaki, concede elementos que permitem uma instigante possibilidade de reflexão sobre a relação entre sexualidade e fenomenologia. Tanizaki conta a história de um casal em que marido e esposa escrevem separadamente seus respectivos diários, a princípio sem revelar o conteúdo ao parceiro, expressando nas páginas intensas confissões de caráter erótico. Entretanto, em determinado momento, ambos suspeitam que são lidos um pelo outro às escondidas. A partir de então, o leitor da obra não sabe se o que é relatado nos diários corresponde a verdades ou a experiências e sentimentos forjados, com o objetivo de que um parceiro intencionalmente confunda o outro. Assim, a narrativa revela uma dinâmica em que o encontro com o outro é substituído por jogos de manipulação e encenação. À luz do capítulo “O corpo como ser sexuado”, da “Fenomenologia da percepção” de Merleau-Ponty, é possível identificar, na trama, distorções da condição erótica. Para o filósofo, a sexualidade é um modo originário de presença no mundo, uma via de acesso ao outro enquanto sujeito. Em Tanizaki, entretanto, essa dimensão encontra-se corrompida: o olhar não é permeado pela reciprocidade, e o corpo do outro é reduzido a objeto fetichizado. Onde poderia haver cortejo, enquanto expressão corporal do amor, surgem o ciúme e a traição como artifícios para sustentar a excitação. Assim, “A chave” expõe experiências em que a sexualidade, em vez de linguagem de reciprocidade, converte-se em um campo de manipulações que negam a alteridade do outro.</p>José Henrique Sousa Luz
Copyright (c) 2026 José Henrique Sousa Luz
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2026-08-082026-08-0815228429210.37067/rpfc.v15i2.1261Phenomenological Considerations on Love and Jealousy in Junichiro Tanizaki’s “The Key”
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1324
<p>The novel “The Key”, by Japanese writer Junichiro Tanizaki, offers elements that allow for a thought-provoking reflection on the relationship between sexuality and phenomenology. Tanizaki tells the story of a couple in which the husband and wife write their respective diaries separately, initially without revealing the content to their partner, expressing intense confessions of an erotic nature within the pages. However, at a certain point, both suspect that they are secretly being read by each other. From then on, the reader is uncertain whether what is reported in the diaries corresponds to truth or to fabricated experiences and feelings, intended for one partner to intentionally confuse the other. Thus, the narrative reveals a dynamic in which the encounter with the other is replaced by games of manipulation and staging. In light of the chapter “The Body as a Sexed Being” from Merleau-Ponty’s “Phenomenology of Perception”, it is possible to identify distortions of the erotic condition in the plot. For the philosopher, sexuality is an original mode of presence in the world, a means of accessing the other as a subject. In Tanizaki, however, this dimension is corrupted: the gaze is not permeated by reciprocity, and the other's body is reduced to a fetishized object. Where there could be courtship, as a bodily expression of love, jealousy and betrayal emerge as artifices to sustain arousal. Thus, “The Key” exposes experiences in which sexuality, instead of a language of reciprocity, becomes a field of manipulation that denies the other's otherness.</p>José Henrique Sousa Luz
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2026-08-082026-08-0815229330110.37067/rpfc.v15i2.1324Vivir es escribir el poema que somos
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1259
<p>Este artigo examina o papel da ficção literária na constituição do sentido e da identidade pessoal. Partindo de uma pergunta central na tradição filosófica e literária: Por que nós, seres humanos, lemos e produzimos ficções persistentemente? Se bem as neurociências da narrativa já destacaram suas funções adaptativas – facilitar a cognição social, promover a coesão comunitária, possibilitar a internalização de normas morais e oferecer um marco para antecipar situações da vida real –, aqui se sustenta que seu aporte mais decisivo reside na configuração da subjetividade e na construção do sentido. Na primeira seção, é abordada a problemática da “morte de Deus” em Nietzsche, e suas consequências culturais: a perda de fundamentos transcendentes, a dissolução dos marcos morais e a experiência de um mundo sem orientação. Ainda que as respostas contemporâneas se dividam entre a radicalização de propostas tradicionais e o sincretismo, a persistência do problema demanda alternativas conceituais. A segunda seção explora uma dessas alternativas a partir da ficção literária, e em particular do romance, concebido como dispositivo que possibilita a elaboração de uma identidade narrativa. Em diálogo com a hermenêutica de Paul Ricoeur, se argumenta que a ficção cumpre uma tripla mediação: referencialidade (entre ser humano e mundo), comunicabilidade (entre sujeito e os outros) e compreensão de si (entre o sujeito e si mesmo). A partir dessa perspectiva, a ficção não constitui uma evasão ou mero entretenimento, mas uma forma de <em>poiesis</em> capaz de conferir unidade ao disperso e configurar tramas de sentido. A tese central pode se resumir à fórmula: viver é escrever o poema que somos.</p>Martín Buceta
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2026-08-082026-08-0815230331810.37067/rpfc.v15i2.1259Viver é escrever o poema que somos
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1325
<p>Este artigo examina o papel da ficção literária na constituição do sentido e da identidade pessoal. Partindo de uma pergunta central na tradição filosófica e literária: Por que nós, seres humanos, lemos e produzimos ficções persistentemente? Se bem as neurociências da narrativa já destacaram suas funções adaptativas – facilitar a cognição social, promover a coesão comunitária, possibilitar a internalização de normas morais e oferecer um marco para antecipar situações da vida real –, aqui se sustenta que seu aporte mais decisivo reside na configuração da subjetividade e na construção do sentido. Na primeira seção, é abordada a problemática da “morte de Deus” em Nietzsche, e suas consequências culturais: a perda de fundamentos transcendentes, a dissolução dos marcos morais e a experiência de um mundo sem orientação. Ainda que as respostas contemporâneas se dividam entre a radicalização de propostas tradicionais e o sincretismo, a persistência do problema demanda alternativas conceituais. A segunda seção explora uma dessas alternativas a partir da ficção literária, e em particular do romance, concebido como dispositivo que possibilita a elaboração de uma identidade narrativa. Em diálogo com a hermenêutica de Paul Ricoeur, se argumenta que a ficção cumpre uma tripla mediação: referencialidade (entre ser humano e mundo), comunicabilidade (entre sujeito e os outros) e compreensão de si (entre o sujeito e si mesmo). A partir dessa perspectiva, a ficção não constitui uma evasão ou mero entretenimento, mas uma forma de poiesis capaz de conferir unidade ao disperso e configurar tramas de sentido. A tese central pode se resumir à fórmula: viver é escrever o poema que somos.</p>Martin BucetaMiguel Montero Juliana Pita
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2026-08-082026-08-0815231933510.37067/rpfc.v15i2.1325O fenômeno da ansiedade na cultura digital
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1257
<p>As novas tecnologias, atreladas à presença massiva da internet, trouxeram mudanças significativas para a vida cotidiana das pessoas em escala global. Como passamos cada vez mais tempo online, nosso contato com o mundo passou a ser também mediado por telas, o que nos levou a questionar os impactos da cultura digital na vida humana e seu atravessamento nos modos de sofrimento contemporâneo, tais como a ansiedade. Neste trabalho, temos como objetivo compreender o fenômeno da ansiedade em seu entrelaçamento à cultura digital por meio de uma perspectiva crítica situada no campo da fenomenologia clínica. Para este fim, elaborou-se uma pesquisa de base bibliográfica por meio de um ensaio teórico. Identificamos que diante da hiperestimulação, a ansiedade é compreendida como um fenômeno intersubjetivo situado na interseção entre sujeito e cultura, especialmente na configuração da cultura digital. Evidenciou-se que a experiência ansiosa não pode ser reduzida a uma relação causal e determinista com o virtual, mas sim compreendida por meio do entrelaçamento ambíguo entre sujeito-outrem-mundo, o qual se desvela na lógica do desempenho e abre condições de possibilidade do vivido (psico)patológico. Como resultado, evidencia-se a necessidade de uma postura clínica crítica, ética e compreensiva, capaz de incorporar a dimensão intersubjetiva e cultural na escuta sensível das experiências e configurações da ansiedade no mundo contemporâneo. Tal perspectiva aponta para o rompimento com práticas voltadas ao mero ajustamento, patologização e adaptação dos sujeitos às lógicas de produção e desempenho, revelando as formas pelas quais o mundo digitalmente mediado pode enrijecer ou restringir as condições de possibilidade do existir humano.</p>Camila Pereira de SouzaBruna SendyIsabela Maia
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2026-08-082026-08-0815233635310.37067/rpfc.v15i2.1257The phenomenon of anxiety in the digital culture
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1326
<p>New technologies, linked to the massive presence of the internet, have brought significant changes to people's daily lives on a global scale. As we spend more and more time online, our contact with the world has also become mediated by screens, leading us to question the impacts of digital culture on human life and its intersection with contemporary forms of suffering, such as anxiety. In this work, we aim to understand the phenomenon of anxiety in its intertwining with digital culture through a critical perspective situated in the field of phenomenological psychopathology. To this end, we conducted a bibliographic research study through a theoretical essay. In the face of hyperstimulation, anxiety is understood as an intersubjective phenomenon situated at the intersection between subject and culture, especially in the configuration of digital culture. It was evident that the current anxious experience cannot be reduced to a linear causal relationship with culture, but rather understood as an ambiguous and constitutive intertwining between the self-other-world, where the exposure to the logic of performance and temporal acceleration modulate the conditions of possibility of psychopathological experience. As a result, there is a clear need for a critical, ethical, and comprehensive clinical approach, capable of incorporating the intersubjective and cultural dimensions into sensitive listening to experiences and configurations of anxiety in the contemporary world. This perspective points to a break with practices focused on mere adjustment, pathologization, and adaptation of subjects to the logic of production and performance, revealing the ways in which the digitally mediated world can stiffen or restrict the conditions of possibility of human existence.</p>Camila Pereira de SouzaBruno SendyIsabela Maia
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2026-08-082026-08-0815235437110.37067/rpfc.v15i2.1326A Phenomenological-Structural Approach to Suicide in Adolescence
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1327
<p>Suicide in adolescence is often approached through epidemiological risk factors or diagnostic categories, yet these perspectives frequently fail to account for why this life stage is marked by such intense vulnerability to existential suffering. This article argues that adolescence constitutes a singular condition of risk not primarily because of external factors, but because it involves a radical reorganization of the basic conditions of subjective experience. Drawing on a phenomenological-structural framework, the paper examines how the profound reconfiguration of temporality, spatiality, embodiment, and intersubjectivity during adolescence creates a terrain in which suicidal ideation may emerge as a response to overwhelming instability rather than as a discrete pathological symptom.</p> <p>The analysis shows that the adolescent experience is characterized by an excessive openness to the future, a destabilization of embodied self-experience, an abrupt expansion of social and symbolic space, and a shift from vertical to horizontal forms of intersubjective support centered on peers. These structural transformations are further intensified in contemporary digital contexts, where fragile bonds, collective narratives, and online exposure amplify both contagion and vulnerability, as illustrated by the Werther and Papageno effects.</p> <p>Clinically, the article proposes that effective intervention requires more than risk management or symptom reduction. While pharmacological measures may reduce acute danger, therapeutic work must primarily aim to restore temporal movement and biographical continuity through singular intersubjective engagement. By reframing adolescent suicide as an expression of structural vulnerability rather than mere pathology, this phenomenological-structural approach offers a conceptual and clinical framework capable of integrating individual suffering, social context, and therapeutic responsibility</p>Daniela Ceron-Litvoc
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2026-08-082026-08-0815237239410.37067/rpfc.v15i2.1327Uma Abordagem Fenomenológico-Estrutural do Suicídio na Adolescência
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1241
<p>O suicídio na adolescência é frequentemente abordado a partir de fatores de risco epidemiológicos ou de categorias diagnósticas; contudo, essas perspectivas frequentemente deixam de explicar por que essa etapa da vida é marcada por uma vulnerabilidade tão intensa ao sofrimento existencial. Este artigo argumenta que a adolescência constitui uma condição singular de risco não primordialmente por causa de fatores externos, mas porque envolve uma reorganização radical das condições básicas da experiência subjetiva. Com base em uma perspectiva fenomenológico-estrutural, o artigo examina como a profunda reconfiguração da temporalidade, da espacialidade, da corporeidade e da intersubjetividade durante a adolescência cria um terreno no qual a ideação suicida pode emergir como resposta a uma instabilidade avassaladora, mais do que como um sintoma patológico discreto. A análise mostra que a experiência adolescente é caracterizada por uma abertura excessiva ao futuro, uma desestabilização da experiência corporal de si, uma expansão abrupta do espaço social e simbólico, e uma passagem de formas verticais para formas horizontais de sustentação intersubjetiva, centradas nos pares. Essas transformações estruturais são ainda mais intensificadas nos contextos digitais contemporâneos, nos quais vínculos frágeis, narrativas coletivas e exposição online amplificam tanto o contágio quanto a vulnerabilidade, como ilustram os efeitos Werther e Papageno. Clinicamente, o artigo propõe que uma intervenção efetiva requer mais do que manejo de risco ou redução sintomática. Embora medidas farmacológicas possam reduzir o perigo agudo, o trabalho terapêutico deve visar primariamente à restauração do movimento temporal e da continuidade biográfica por meio de um engajamento intersubjetivo singular. Ao reformular o suicídio adolescente como expressão de vulnerabilidade estrutural, e não como mera patologia, essa abordagem fenomenológico-estrutural oferece um arcabouço conceitual e clínico capaz de integrar sofrimento individual, contexto social e responsabilidade terapêutica.</p>Daniela Ceron-Litvoc
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2026-08-082026-08-0815239542010.37067/rpfc.v15i2.1241Um Corpo Nem para Mim, Nem para o Outro
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1262
<p style="font-weight: 400;">Este ensaio teórico realiza uma leitura fenomenológica do caso de Ellen West em diálogo com uma história clínica contemporânea, Hellena, uma jovem com diagnóstico de anorexia nervosa. As narrativas evidenciam o sofrimento presentes na experiência do corpo, da identidade e da intersubjetividade, revelando a anorexia como expressão de um conflito existencial profundo no ser-com-o-outro. A recusa alimentar, o isolamento social e a fragmentação da relação com o proprio corpo refletem uma tentativa de proteção frente à invasão do olhar e do desejo pelo outro. O amor, enquanto possibilidade de ser e de existir no mundo, aparece atravessado por medo, idealização e distanciamento corporal. Nessa perspectiva, a anorexia nervosa se configura como uma forma de reorganização identitária diante da fragilidade do eu e do colapso da intercorporeidade. Assim, amor e corpo vivido tornam-se dimensões centrais para compreender o modo de sofrer e existir de quem busca, paradoxalmente, preservar-se do outro e de si.</p>Thaís Gazotti
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2026-08-082026-08-0815242142910.37067/rpfc.v15i2.1262A Body Neither for Myself nor for the Other
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1328
<p>This theoretical essay offers a phenomenological reading of Ellen West’s case in dialogue with a contemporary clinical narrative, Hellena, a young woman diagnosed with anorexia nervosa. Taken together, these narratives illuminate the suffering associated with the disorder as it unfolds through embodiment, identity, and intersubjectivity, revealing anorexia nervosa as the expression of a profound existential conflict in being-with-others. Food refusal, social withdrawal, and the fragmentation of one’s relationship with one’s own body emerge as attempts to protect the self from the perceived intrusiveness of the other’s gaze and desire. Love, as a possibility of being and existing in the world, appears marked by fear, idealization, and bodily withdrawal. From this perspective, anorexia nervosa may be understood as a form of identity reorganization in response to the fragility of the self and the collapse of intercorporeality. Love and the lived body thus become central dimensions for understanding the mode of suffering and existence of those who, paradoxically, seek to preserve themselves from the other and from themselves.</p>Thaís Gazotti
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2026-08-082026-08-0815243043810.37067/rpfc.v15i2.1328Possibilidades do Olhar da Psicopatologia Fenomenológica Estrutural no Acompanhamento Psicoterapêutico de Pessoas com Experiência de Adoecimento por Câncer
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1258
<p>A psicopatologia tradicional tem deixado de ser recurso à saúde mental, uma vez que, por meio de sua roupagem criteriológica (universalista), transformou-se em sinônimo de saúde mental. Tal redução redunda em traduzir sofrimento psíquico por quadros nosológicos (medicalizáveis) que conformam elementos fundamentais à funcionalidade e prontidão subservientes nos humanos tão necessários às operações lucrativas do neoliberalismo. Humanos (denominados pacientes na forja medicalizante) podem ser mergulhados em universos multiplicados de dor quando, para além do sofrimento psíquico, experienciam algum fenômeno de privação (doença): o câncer. A psicopatologia fenomenológica estrutural tem se revelado vertente de força na compreensão do humano visando à mitigação de suas dores e sofrimentos, apartada da trilha explicativa que fabrica caminhos de causalidade palatáveis à maioria da população, mas que desaguam em mananciais que obstam compreender-se a si próprio em sua humanidade, exaltando sua mais robusta objetalidade. Este ensaio pretende apontar possibilidades da psicopatologia fenomenológica estrutural no acompanhamento psicoterapêutico de pessoas com experiência de adoecimento por câncer a partir de um modelo descritivo e compreensivo aderido à fenomenologia hermenêutica heideggeriana.</p>Arlinda B. Moreno
Copyright (c) 2026 Arlinda B. Moreno
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2026-08-082026-08-0815243946810.37067/rpfc.v15i2.1258Possibilities of the Phenomenological-Structural Psychopathology Glance during a Psychotherapeutic Process of People that Illness by Cancer Experience
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1329
<p>Traditional psychopathology has ceased to be a resource to mental health, since, through its criteriological (universalist) façade, it has become synonymous with mental health. This reduction results in translating psychological suffering into nosological (medicalizable) frameworks that constructed fundamental elements to the subservient functionality and readiness in humans so necessary to the lucrative operations of neoliberalism. Humans (called patients in the medicalizing forge) can be immersed in multiplied universes of pain when, in addition to psychological distress, they experience some phenomenon of deprivation (disease): cancer. The phenomenological-structural psychopathology has emerged as a powerful approach in understanding humans, aiming to mitigate their pain and suffering, separate from the explanatory route that constructs causal pathways palatable to the majority of the population, but which lead to crossroads that hinder understanding oneself in one's humanity, exalting one's most robust objecthood. This essay aims to point out possibilities of phenomenological-structural psychopathology in the psychotherapeutic follow-up of people with experience of cancer illness through a descriptive and understanding model based on Heideggerian hermeneutic phenomenology.</p>Arlinda B. Moreno
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2026-08-082026-08-0815246949710.37067/rpfc.v15i2.1329Editorial
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1418
<p class="Corpo-revista"><span lang="PT">É com grande satisfação que apresentamos esta edição especial da revista Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea (PFC), dedicada ao III Simpósio Internacional de Psicopatologia Fenomenológica (SIPF), realizado em Fortaleza, entre 21 e 23 de agosto de 2025. Naquela oportunidade, a Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estrutural (SBPFE) uniu-se ao Apheto, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza, em torno de um tema que condensa a própria vocação desta tradição – <em>Ética, Crítica e Clínica: Movimentos da Psicopatologia Fenomenológica no Brasil e no Mundo</em>.</span></p>Daniela Ceron-Litvoc Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-0815214Editorial
https://revistapfc.com.br/rpfc/article/view/1419
<p>It is with great satisfaction that we present this special issue of the journal <em>Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea</em> (PFC), dedicated to the III International Symposium on Phenomenological Psychopathology (SIPF), held in Fortaleza from 21 to 23 August 2025. On that occasion, the Brazilian Society for Phenomeno-Structural Psychopathology (SBPFE) joined with Apheto, of the Graduate Program in Psychology of the Universidade de Fortaleza, around a theme that condenses the very vocation of this tradition — <em>Ethics, Critique and Clinic: Movements of Phenomenological Psychopathology in Brazil and in the World</em>.</p>Daniela Ceron-Litvoc Lucas Guimarães Bloc
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2026-08-082026-08-0815258